A 5ª Olimpíada recebe nesta semana professores e alunos vencedores de todo o Brasil
Juliana Marques
Dois meses após a divulgação dos resultados regionais da 5ª Olimpíada de Saúde e Meio Ambiente (Obsma), finalmente os 33 professores e 34 estudantes contemplados chegam ao Rio de Janeiro para a etapa nacional. Muitos já estão de malas prontas para participar de diversas atividades programadas para a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (18 a 22 de outubro), na Fiocruz.
Ao chegarem ao Rio de Janeiro na quarta-feira, eles se hospedam em um hotel da zona sul da cidade e irão conhecer as famosas palmeiras imperiais do Instituto Jardim Botânico. O dia seguinte está reservado para primeira visita à Fiocruz, onde todos poderão ver de perto os espaços históricos e de divulgação científica da instituição. Em seguida, participam da mostra de vídeos dos projetos audiovisuais vencedores e da exposição de pôsteres dos trabalhos das categorias Elaboração de Texto e Projeto de Ciências. Estão programadas ainda oficinas com integrantes do Saúde e Alegria, de Santarém, Pará, um dos mais antigos projetos de desenvolvimento comunitário na área de promoção da saúde na Amazônia.
A cerimônia de premiação acontece na sexta-feira, 22 de outubro, uma semana após o dia dos professores. Entre 34 trabalhos, todos recebem medalhas e placas e seis serão escolhidos vencedores nacionais. Por último, professores e estudantes fazem uma visita ao Cristo Redentor, no Corcovado, localizado na maior floresta urbana do mundo. É um prêmio especial que fica por conta da própria da cidade.
Alguns representantes dos projetos premiados vêm de muito longe para esta etapa nacional. A professora Kátia Garcia e a aluna Maria Letícia de Sena, da Escola Estadual Cruzeiro do Céu, já saíram da pequena cidade de Pauini, no interior do Amazonas, para chegar à 5ª Obsma a tempo da premiação. Após dois dias viajando de canoa, elas seguem agora para Rio Branco, no Acre, onde pegam o avião a caminho do Rio de Janeiro. Elas são as vencedoras do ensino fundamental, na modalidade Projeto de Ciências com o trabalho Escola Viva da Floresta.
O professor Alex dos Santos, de Salvador, Bahia, também se prepara para embarcar junto com as alunas Aline Gonçalves e Bruna Helem Barreto. Eles são vencedores do Colégio Estadual Luiz Pinto de Carvalho, e junto com a estudante Carlilane Moreira elaboraram o jornal A Voz de Gaia, que traz reportagens sobre a poluição do Rio Camarajipe. Santos e as alunas foram entrevistados pelo telejornal BATV, da emissora Rede Bahia. Eles foram premiados na categoria texto, na regional Nordeste II.
Para Carlilane Moreira, participar da Olimpíada fez com que ela ampliasse ainda mais seu ponto de vista a respeito dos cuidados com o lugar em que vive: “Percebi que também sou responsável pelas mudanças que ocorrem no ambiente. Antes via a poluição apenas como uma responsabilidade do governo, mas sei que a população também tem sua parcela de culpa e pode se unir para preservar mais o ambiente”, contou.
Cerimônia de Premiação
22 de outubro de 2010
Aberta ao público
Local: Auditório do Museu da Vida. Campus da Fiocruz. (Av. Brasil 4.365 – Manguinhos. Rio de Janeiro – RJ).
Horário: 10h às 12h30
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19 de out. de 2010
A biodiversidade em pauta
Conferência mundial e acordos bilionários para salvar os ecossistemas do mundo
Juliana Marques
Enquanto professores e estudantes chegam ao Rio de Janeiro para as atividades da premiação da etapa nacional da 5ª Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente, pesquisadores, representantes de governos e especialistas em ciências biológicas de todo o mundo se reúnem na cidade de Nagóia, no Japão para a 10ª Conferência das Partes da Convenção da ONU sobre Biodiversidade (COP – 10).
Ao contrário da COP –15, a frustrada conferência climática que aconteceu ano passado na cidade dinamarquesa Copenhague, a COP-10 irá discutir sobre a preservação dos ecossistemas - um assunto tão importante quanto o aquecimento global e também indispensável para a preservação da vida no planeta. A cúpula, que teve início nesta segunda-feira, conta com a participação de 193 países e integra a série de eventos programados pela ONU para 2010, escolhido como o ano internacional da biodiversidade.
Entre os assuntos abordados destacam-se a biopirataria, a preservação das espécies e florestas, sustentabilidade e biodiversidade e desenvolvimento. Um dos debates mais esperados será sobre a adoção de recursos para o financiamento de um novo plano de metas. Este é um tópico que surge com frequência nas reuniões das Nações Unidas, mas poucos países se colocam à disposição para doar quantias realmente significativas de mudanças no cenário ambiental do planeta.
Segundo um relatório da ONU, desde 1970 as espécies de animais vertebrados sofreram uma redução de 30% e mais de 70% dos recifes de corais do planeta estão seriamente danificados e correm o risco de desaparecer, afetando não apenas a vida marinha do planeta, mas milhões de pessoas. Pesquisadores da organização afirmam que a ausência de legislações e atitudes internacionais sobre a proteção de ecossistemas se reflete nas constantes extinções de seres vivos.
Segundo especialistas, são necessários esforços de países desenvolvidos e em desenvolvimento, para conter a escalada do desaparecimento das espécies. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente Bráulio Dias enfatizou que é preciso arrecadar mundialmente cerca de US$50 bilhões por ano para proteção ambiental. "Precisamos de recursos cem vezes maiores do que os atuais para cumprir o objetivo que os países europeus vêm defendendo - de interromper a perda de biodiversidade até 2020", afirmou.
País com a maior biodiversidade do mundo, o Brasil ocupa um posição estratégica na discussão das novas metas de proteção ambiental. Além disso, deve encarar com responsabilidade seu desenvolvimento para não prejudicar alguns biomas constantemente ameaçados como os da floresta amazônica, do cerrado e do pantanal. Por isso, pesquisadores defendem cada vez ideias mais relacionadas à sustentabilidade. Na COP-10, que segue até o dia 29 de outubro, os representantes brasileiros já definiram uma linha de conduta: é impossível colocar em prática ideias ambiciosas se não há meios viáveis para executá-las.
Juliana Marques
Enquanto professores e estudantes chegam ao Rio de Janeiro para as atividades da premiação da etapa nacional da 5ª Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente, pesquisadores, representantes de governos e especialistas em ciências biológicas de todo o mundo se reúnem na cidade de Nagóia, no Japão para a 10ª Conferência das Partes da Convenção da ONU sobre Biodiversidade (COP – 10).
Ao contrário da COP –15, a frustrada conferência climática que aconteceu ano passado na cidade dinamarquesa Copenhague, a COP-10 irá discutir sobre a preservação dos ecossistemas - um assunto tão importante quanto o aquecimento global e também indispensável para a preservação da vida no planeta. A cúpula, que teve início nesta segunda-feira, conta com a participação de 193 países e integra a série de eventos programados pela ONU para 2010, escolhido como o ano internacional da biodiversidade.
Entre os assuntos abordados destacam-se a biopirataria, a preservação das espécies e florestas, sustentabilidade e biodiversidade e desenvolvimento. Um dos debates mais esperados será sobre a adoção de recursos para o financiamento de um novo plano de metas. Este é um tópico que surge com frequência nas reuniões das Nações Unidas, mas poucos países se colocam à disposição para doar quantias realmente significativas de mudanças no cenário ambiental do planeta.
Segundo um relatório da ONU, desde 1970 as espécies de animais vertebrados sofreram uma redução de 30% e mais de 70% dos recifes de corais do planeta estão seriamente danificados e correm o risco de desaparecer, afetando não apenas a vida marinha do planeta, mas milhões de pessoas. Pesquisadores da organização afirmam que a ausência de legislações e atitudes internacionais sobre a proteção de ecossistemas se reflete nas constantes extinções de seres vivos.
Segundo especialistas, são necessários esforços de países desenvolvidos e em desenvolvimento, para conter a escalada do desaparecimento das espécies. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente Bráulio Dias enfatizou que é preciso arrecadar mundialmente cerca de US$50 bilhões por ano para proteção ambiental. "Precisamos de recursos cem vezes maiores do que os atuais para cumprir o objetivo que os países europeus vêm defendendo - de interromper a perda de biodiversidade até 2020", afirmou.
País com a maior biodiversidade do mundo, o Brasil ocupa um posição estratégica na discussão das novas metas de proteção ambiental. Além disso, deve encarar com responsabilidade seu desenvolvimento para não prejudicar alguns biomas constantemente ameaçados como os da floresta amazônica, do cerrado e do pantanal. Por isso, pesquisadores defendem cada vez ideias mais relacionadas à sustentabilidade. Na COP-10, que segue até o dia 29 de outubro, os representantes brasileiros já definiram uma linha de conduta: é impossível colocar em prática ideias ambiciosas se não há meios viáveis para executá-las.
Desafios em mares de todo o mundo
Protegidas no Brasil pelo Projeto Tamar, as tartarugas marinhas são ameaçadas pela pesca e poluição nos oceanos
Juliana Marques
Elas chegam a nadar milhares de quilômetros para cruzar oceanos e depositar seus ovos nas areias das praias. Conhecidas por realizarem longas jornadas migratórias, as tartarugas marinhas, encontradas em mares de todo o mundo, enfrentam diversas dificuldades para sobreviver. Quem faz o alerta é o Dr. Paulo Barata, pesquisador da Fiocruz e consultor do Projeto Tamar-ICMBio, o programa de conservação que protege as tartarugas marinhas em cerca de 1.100 km de praias brasileiras.
Para detalhar os desafios encontrados atualmente pelas tartarugas marinhas, Barata ministrou uma palestra durante o VII Simpósio de Ecologia: Interações ecológicas e doenças transmissíveis, evento promovido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fiocruz e ICMBio que reuniu pesquisadores e estudantes de biologia na Fiocruz, na primeira semana de outubro.
A pesca é hoje um grande problema para as tartarugas marinhas, que podem ficar presas em redes e anzóis colocados no mar por pescadores artesanais e por frotas de barcos, chegando às vezes a morrer por este motivo. No mar operam barcos pesqueiros de diversas bandeiras, e as tartarugas marinhas podem passar por águas de diferentes países em suas migrações. Por isto, segundo Barata, apesar do Tamar mobilizar grandes esforços para preservar estes animais, os problemas que eles encontram vão além do que um único país pode fazer: “A conservação das tartarugas marinhas requer cooperação internacional, pois estes animais não conhecem fronteiras".
Além da pesca nos oceanos, outros fatores são responsáveis pelo desafio de sobrevivência das tartarugas marinhas, como a poluição do mar, alterações climáticas, com possíveis mudanças nos regimes de temperatura, chuvas e correntes marítimas, e o desenvolvimento de áreas costeiras, que recebem construções como hotéis, portos e instalações industriais. Essas modificações no habitat podem ter influência no processo de incubação dos ovos nas praias e também sobre as tartarugas no mar. A presença de poluentes nos mares pode estar associada ao aparecimento de tumores, uma doença observada atualmente em tartarugas marinhas de todo o mundo.
Atitudes e conscientização
Barata explicou que antes da criação do Projeto Tamar, em 1980, pescadores e a população litorânea não apenas recolhiam a maior parte dos ovos depositados nas praias, mas dizimavam tartarugas todas as noites. Os animais serviam como alimento e suas carapaças eram aproveitadas para confecção de objetos artesanais. “Com a atuação do Tamar, as pessoas passaram a ter mais consciência sobre a importância das tartarugas para a vida marinha”, contou o pesquisador.
Desde o início de suas atividades o Tamar criou parcerias com as comunidades locais nas áreas em que atua. Os pescadores que capturavam as tartarugas nas praias foram contratados para trabalhar no projeto de conservação. Este é tido como um dos principais motivos para os bons resultados observados atualmente. Barata destacou que, hoje, quase 100% dos ovos conseguem eclodir nas praias, e os dados disponíveis indicam um processo de recuperação de algumas das populações de tartarugas marinhas que desovam no Brasil.
Saiba mais sobre as tartarugas marinhas e o Projeto Tamar
Juliana Marques
Elas chegam a nadar milhares de quilômetros para cruzar oceanos e depositar seus ovos nas areias das praias. Conhecidas por realizarem longas jornadas migratórias, as tartarugas marinhas, encontradas em mares de todo o mundo, enfrentam diversas dificuldades para sobreviver. Quem faz o alerta é o Dr. Paulo Barata, pesquisador da Fiocruz e consultor do Projeto Tamar-ICMBio, o programa de conservação que protege as tartarugas marinhas em cerca de 1.100 km de praias brasileiras.
Para detalhar os desafios encontrados atualmente pelas tartarugas marinhas, Barata ministrou uma palestra durante o VII Simpósio de Ecologia: Interações ecológicas e doenças transmissíveis, evento promovido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fiocruz e ICMBio que reuniu pesquisadores e estudantes de biologia na Fiocruz, na primeira semana de outubro.
A pesca é hoje um grande problema para as tartarugas marinhas, que podem ficar presas em redes e anzóis colocados no mar por pescadores artesanais e por frotas de barcos, chegando às vezes a morrer por este motivo. No mar operam barcos pesqueiros de diversas bandeiras, e as tartarugas marinhas podem passar por águas de diferentes países em suas migrações. Por isto, segundo Barata, apesar do Tamar mobilizar grandes esforços para preservar estes animais, os problemas que eles encontram vão além do que um único país pode fazer: “A conservação das tartarugas marinhas requer cooperação internacional, pois estes animais não conhecem fronteiras".
| A tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) é encontrada em todo o litoral do Nordeste do Brasil, especialmente na Bahia. (Foto: Projeto Tamar) |
Além da pesca nos oceanos, outros fatores são responsáveis pelo desafio de sobrevivência das tartarugas marinhas, como a poluição do mar, alterações climáticas, com possíveis mudanças nos regimes de temperatura, chuvas e correntes marítimas, e o desenvolvimento de áreas costeiras, que recebem construções como hotéis, portos e instalações industriais. Essas modificações no habitat podem ter influência no processo de incubação dos ovos nas praias e também sobre as tartarugas no mar. A presença de poluentes nos mares pode estar associada ao aparecimento de tumores, uma doença observada atualmente em tartarugas marinhas de todo o mundo.
Atitudes e conscientização
Barata explicou que antes da criação do Projeto Tamar, em 1980, pescadores e a população litorânea não apenas recolhiam a maior parte dos ovos depositados nas praias, mas dizimavam tartarugas todas as noites. Os animais serviam como alimento e suas carapaças eram aproveitadas para confecção de objetos artesanais. “Com a atuação do Tamar, as pessoas passaram a ter mais consciência sobre a importância das tartarugas para a vida marinha”, contou o pesquisador.
| Filhotes da tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) acompanham a luminosidade e correm em direção ao mar. (Foto: Projeto Tamar) |
Saiba mais sobre as tartarugas marinhas e o Projeto Tamar
Algumas curiosidades sobre as tartarugas marinhas e o Projeto Tamar...
- Existem no mundo sete espécies de tartarugas marinhas, e cinco delas são encontradas no Brasil.
- Um dos principais locais de desova da tartaruga-verde (Chelonia mydas) é uma ilha chamada Ascensão, localizada no meio do oceano Atlântico, entre o Brasil e a África. As fêmeas que desovam na ilha usam o litoral nordeste do Brasil como área de alimentação, e assim têm que viajar no mínimo 2.200 km para chegar à ilha (onde realizam as desovas), e outro tanto para voltar à costa brasileira.
- No Brasil, há desovas de tartarugas marinhas no litoral continental, principalmente entre os estados do Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro, e também em três ilhas oceânicas: Fernando de Noronha, Atol das Rocas e Trindade.
- Logo após se libertarem dos ovos e saírem do ninho durante a noite, os filhotes correm na areia em direção ao mar. Eles são guiados pela luminosidade natural que existe no mar, mas ficam desorientados quando há luzes artificiais na orla. Este problema ambiental, conhecido como fotopoluição, pode causar a morte de inúmeras pequenas tartarugas que não encontram o caminho para o oceano.
- O Projeto Tamar, uma referência internacional na conservação das tartarugas marinhas, completa neste ano 30 anos de trabalho. O Tamar é reconhecido tanto pelos resultados obtidos como pelos métodos que emprega, especialmente pela integração das comunidades locais às atividades de conservação.
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