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28 de out. de 2010

Experiências para toda vida

Etapa Nacional da 5ª Olimpíada de Saúde e Meio Ambiente premia professore e alunos no Rio de Janeiro

Juliana Marques

Foram ao todo três dias com uma intensa programação cultural e científica no Rio de Janeiro. Professores e alunos de escolas premiadas na 5ª Olimpíada de Saúde e Meio Ambiente (Obsma), tiveram a chance de se reunir para conhecer os 34 trabalhos finalistas, fazer novas amizades, trocar experiências de ensino e, é claro: participar da cerimônia de premiação nacional dos vencedores desta edição (2009-2010).

Vencedores nacionais da Olimpíada foram conhecidos durante a cerimônia de premiação. (Foto: Vinícius Marinho/IOC)

Estudantes, professores, e todas as equipes regionais chegaram à capital carioca dia 20 de outubro. Guiados por duas colaboradoras da Olimpíada, eles visitaram o Jardim Japonês, viram de perto vitórias-régias e conheceram dezenas de espécies diferentes de orquídeas, no Instituto de Pesquisas Jardim Botânico. Logo após o jantar de boas-vindas, todos puderam conhecer os integrantes do grupo Saúde e Alegria, Chico Malta e Luiz Evandro Barbosa. Eles trouxeram músicas, danças e brincadeiras de Santarém, no Pará, onde desenvolvem projetos nas áreas de saúde, meio ambiente e educação.

Professores e alunos se divertem durante as oficinas promovidas pelos integrantes do grupo Saúde e Alegria. (Foto: Juliana Marques)

Em visita ao campus da Fiocruz, os premiados puderam visitar na manhã da quinta-feira o Museu da Vida e tiveram uma pequena aula de história sobre o Instituto Oswaldo Cruz, criado no início do século XX para ser o primeiro centro de pesquisas em ciências da saúde do país. Eles ouviram também dos monitores algumas informações sobre a importância do conjunto arquitetônico de Manguinhos, representado pela imponência de um castelo em arquitetura de estilo mourisco, onde hoje está localizada a sede nacional da Fiocruz.  Erguido para receber laboratórios de pesquisa, atualmente o Castelo possui salas de exposições, uma biblioteca de obras raras, abriga uma das maiores coleções entomológicas da América Latina, e ainda conserva – imaginem! – o mais antigo elevador em funcionamento na cidade do Rio de Janeiro.

A tarde do segundo dia no Rio de Janeiro foi reservada para a Mostra de Vídeos com a apresentação dos trabalhos vencedores na Etapa Regional da Olimpíada, uma atividade integrada à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. De Manguinhos todos partiram para a Lapa, bairro boêmio da cidade, onde está instalado o Cinema Nosso, projeto que une com criatividade alunos de escolas públicas que querem aprender a fazer arte, cinema e educação.

Emoção e alegria
A cerimônia de premiação nacional no auditório do Museu da Vida no dia 22 de outubro teve transmissão ao vivo pelo site da Olimpíada. A solenidade contou com a presença da vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz, a médica e pesquisadora em saúde pública, Dra. Maria do Carmo Leal; do coordenador geral de tecnologia de educação, do Ministério da Educação (MEC), Prof. Raymundo Carlos Ferreira Filho; de Maria Thereza Teixeira, assessora técnica na área de vigilância em saúde ambiental e saúde do trabalhador do Ministério da Saúde; do secretário executivo da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco), Carlos do Santos Silva; e da coordenadora nacional da Olimpíada, Cristina Araripe Ferreira, pesquisadora da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio.

Vencedores nacionais na modalidade Produção Audiovisual, a professora Edilene Pereira Alves e os alunos produtores do vídeo “Se você pensa em poluir o meio ambiente está poluindo a própria mente” já têm planos para as próximas edições da Obsma: “Foi uma oportunidade incrível participar deste projeto, estamos encantados com o Rio de Janeiro e com a Fiocruz. Queremos que este espírito de união e parcerias alcance todas as turmas e professores e alunos se sintam ainda mais motivados em participar”.

O aluno Pedro Costa Neves, de 12 anos, vencedor da regional Norte com o trabalho de Elaboração de Texto “A descoberta da sexualidade: um trabalho de parceria entre família e escola na construção da cidadania” contou que pretende participar nas modalidades de texto e audiovisuais na próxima edição. “Adorei tudo, se pudesse ficaria aqui até a próxima Olimpíada!”, contou o estudante. A professora orientadora do trabalho, Solange Oliveira Dourado, destacou: “Participar da Olimpíada foi uma experiência maravilhosa e emocionante, especialmente porque tivemos a chance de conhecer a Fiocruz, um local onde ciência e sociedade convivem em perfeita harmonia”.

Premiados na 5ª Obsma visitaram exposições e mostras no campus da Fiocruz, no Rio de Janeiro. (Foto: Catarina Macedo / IOC)

A viagem ao Rio de Janeiro não poderia acabar sem que todos fossem conhecer o Corcovado e a Praia de Copacabana, os participantes ganharam de presente uma visita ao Cristo Redentor, e fecharam o passeio com um banho delicioso no Leme, zona sul da cidade. Alguns alunos e professores não resistiram, entraram de roupa e tudo no mar!
  

Reconhecimento nacional

Avaliadores escolhem os seis melhores trabalhos enviados à 5ª Olimpíada

Juliana Marques

Com todos os 34 trabalhos premiados em mãos, avaliadores chegaram à Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), na Fiocruz, para decidirem quais seriam os seis representantes nacionais das três modalidades da Olimpíada. A equipe de jurados contou com a participação de dois especialistas em cada modalidade.

Na modalidade Elaboração de Texto, a escolha foi feita pelo Dr. Ricardo Lourenço de Oliveira, zoólogo, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), e editor da revista Memórias do IOC; e pela coordenadora de projetos de meio ambiente da Fundação Roberto Marinho, Márcia Pinto. Eles elegeram os trabalhos “O caipira e o mosquito”, do Colégio Nossa Senhora Mãe de Deus, em Catalão, Goiás, e o jornal “Voz de Gaia”, do Colégio Estadual Luiz Pinto de Carvalho, em Salvador, Bahia, para as categorias ensino fundamental e ensino médio, respectivamente. Autora da paródia sobre a dengue “O caipira e o mosquito”, a aluna Bárbara Resende, de 13 anos, contou que se surpreendeu com o resultado: “Fiquei muito feliz! Se ganhar a regional já foi uma vitória, representar a etapa nacional então foi emocionante. Vibrei muito na hora de receber o prêmio”. 


Os avaliadores Márcia Pinto (à esquerda) e Ricardo Lourenço anunciam a escolham dos trabalhos vencedores de Elaboração de Textos às coordenadoras Cristina Araripe e Páulea Zaquini. (Foto: Juliana Marques)


Em Produção Audiovisual, a disputa foi acirrada, e as avaliadoras Felícia Krumholz, coordenadora da Oficina Cine-Escola do Grupo Estação, e Renata Machado, jornalista do Canal Saúde da Fiocruz, não apenas contemplaram dois trabalhos, como também escolheram uma honra ao mérito. “Todos trabalham muito bem com linguagens cinematográficas de maneiras de diferentes, seja com músicas, sons e imagens”, afirmou Machado. Os vencedores foram: Na categoria ensino fundamental, “Se você pensa em poluir o meio ambiente, está poluindo a própria mente”, do Colégio Estadual de Atenção Integral à Criança, em Palmas, Tocantins. Na categoria ensino médio, “Sonho”, da Escola Estadual Professora Maria Santos Bairão, em Santa Isabel, São Paulo.

Felía Krumholz (à direita) e Renata Machado (à esquerda) avaliam os aspectos estéticos e os procedimentos técnicos dos vídeos premiados. (Foto: Juliana Marques)

Esforço recompensado
A honra ao mérito foi para o vídeo “Bum dos agrotóxicos”, uma animação feita por dois alunos da Escola Estadual Avelino Magalhães, em Tabuleiro do Norte, Ceará. O professor orientador do trabalho, Cleudemarcos Feitoza, contou que ele e o aluno representante Sidnei da Silva Filho foram recebidos com comemorações na escola. “Foi uma experiência incrível. A equipe da escola assistiu à premiação pela transmissão ao vivo do site da Olimpíada e estão motivados em participar das próximas edições. Valeu muito o esforço e o trabalho na hora de produzir o vídeo!”, contou Feitoza.

Já a modalidade Projeto de Ciências ficou por conta dos avaliadores Raymundo Carlos Ferreira Filho, coordenador geral de tecnologia de educação, do Ministério da Educação (MEC); e Maria Thereza Teixeira, assessora técnica de vigilância em saúde ambiental e saúde do trabalhador, no Ministério da Saúde. Eles premiaram, na categoria ensino fundamental, o trabalho “Escola Viva da Floresta”, da Escola Estadual Cruzeiro do Céu, em Pauini, cidade do interior do Amazonas. Em ensino médio o vencedor foi “Agrotóxicos x Agro-tóxicos”, projeto que realizou testes com plantações de tomates na Escola Estadual Professora Zama Maciel, em Patos de Minas, Minas Gerais.

A contextualização do tema desenvolvido em sala de aula foi um dos aspectos considerados pelos avaliadores Maria Thereza Teixeira (à esquerda) e Raymundo Carlos Filho (à direita). (Foto: Juliana Marques)

Confira abaixo as informações completas dos Vencedores Nacionais:

Elaboração de Textos

Ensino Fundamental

“O caipira e o mosquito”
Colégio Nossa Senhora Mãe de Deus
Catalão – Goiás | Centro-Oeste
Professora: Guilhermina Reis da Silva Resende
Aluna: Bárbara da Silva Resende

Ensino Médio
“Jornal: A voz de Gaia”
Colégio Estadual Luiz Pinto de Carvalho
Salvador – Bahia | Nordeste II
Professor: Alex Vieira dos Santos
Alunas: Aline Carneiro Gonçalves; Bruna Helem Ribeiro Barreto e Carlilane dos Santos Moreira

Produção Audiovisual

Ensino Fundamental

“Se você pensa em poluir o meio ambiente está poluindo a própria mente”
Colégio Estadual de Atenção Integral à Criança
Palmas – Tocantins | Centro-Oeste
Professor: Edilene Pereira Alves de Mendonça
Alunos: Daniel Alves Dorneles; Larissa Saraiva Barcelos; Mariana Borges da Silva; Wanderson Gomes Rodrigues

Ensino Médio
“Sonho”
Escola Estadual Professora Maria Santos Bairão
Santa Isabel – São Paulo | Sudeste
Professor: Kleber José da Silva
Alunos: Davi da Silva; Francisco Fernandes da Silva Junior, Quezia Sena de Castro, Renan Benedito de Queluz Rodrigues; Ricardo Oliveira da Silva, Sandra Regina de Brito, Sara de Freitas Amaral, Tamires Domingues da Silva, Tiago da Silva Martins, Tuani Pedroso Pires

Honra ao Mérito | Ensino Médio
“Bum dos agrotóxicos”
Escola Estadual de Educação Profissional Avelino Magalhães
Tabuleiro do Norte – Ceará | Nordeste I
Professor: Cleudemarcos Lopes Feitoza
Alunos: Benigno Filho Souza Oliveira e Sidnei Carlos da Silva Filho


Projeto de Ciências

Ensino Fundamental

“Escola Viva da Floresta”
Escola Estadual Cruzeiro do Céu
Pauini – Amazonas | Norte
Professora: Kátia Aparecida Garcia
Alunos: Antônia Mariana de Arruda; Antonio José Tomas da Silva; Jetulio Santos da Silva; Kelly Cristina Freitas da Silva; Maria Letícia Souza de Sena; Maria Lilá Gimenez; Maria Luar Corrente Andrade da Silva; Júlia Maria Nascimento da Silva; Rosilene Silva de Souza e Rosana da Silva Almeida

Ensino Médio
“Agrotóxico x Agro-tóxico”
Escola Estadual Profª. Zama Maciel
Patos de Minas – Minas Gerais | Minas-Sul
Professora: Dayane Caixeta Magalhães
Alunos: Luiza Helena de Araújo Rosa; Mariana Gonçalves de Lima e Mariane Barbosa e Silva

Criatividade contra o barbeiro

Iniciativa do Instituto Oswaldo Cruz promove projetos lúdicos no interior de Tocantins para combater a doença de Chagas

Juliana Marques

Um grupo de pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) decidiu levar o conhecimento produzido em seu laboratório da Fiocruz até os municípios no interior do estado de Tocantins de uma forma diferente: para contribuir com o aprendizado de 450 estudantes da rede pública, eles criaram o projeto “Olho Vivo no Barbeiro”, cujo principal objetivo é incentivar a produção de atividades divertidas como jogos, confecção de cartazes, pinturas, maquetes, paródias, teatro, poesias e redações. Tudo relacionado à doença de Chagas.

Os pesquisadores atuaram em cerca de 20 municípios de Tocantins, estado onde a enfermidade é considerada endêmica. Eles realizaram palestras com agentes de saúde e ofereceram aulas práticas aos professores. Porém, foi nos pequenos municípios de Aurora do Tocantins, Combinado e Lavandeira que os estudantes tiveram a chance de colocar as ideias em prática para produzirem seus projetos, tendo a chance ainda de divulgá-los para a população local. Como acontece na Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente, professores e alunos foram mobilizados, e como prêmio, os três melhores trabalhos foram contemplados com uma viagem ao Rio de Janeiro.

Alunos e professores recebem o reconhecimento pelo trabalho realizado em escolas do interior do Tocantins. (Foto: Catarina Macedo / IOC)

Em entrevista ao portal do Instituto Oswaldo Cruz a pesquisadora do Laboratório de Transmissores de Leishmanioses do IOC, Teresa Cristina Monte Gonçalves, afirmou que o objetivo do projeto é difundir o conhecimento sobre a doença na região: “Com a realização deste projeto envolvemos as escolas e a população, e fechamos um ciclo com a mobilização de diversos segmentos da comunidade. Desta forma, foi possível observar como a conscientização é fundamental para a prevenção da doença de Chagas”. Segundo a pesquisadora, a meta é acompanhar a incidência da doença na região e continuar de “Olho Vivo no Barbeiro” por mais cinco anos, garantindo assim informações de qualidade para a população local e excelência no ensino de ciências e saúde nas salas de aula.

O projeto é financiado pelo Programa Estratégico de Apoio à Pesquisa em Saúde (PAPES V), uma parceria entre a Fiocruz e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq. Além disso, conta com a participação de pesquisadores do Laboratório de Doenças Parasitárias do IOC, da Fiocruz Minas (Instituto de Pesquisas René Rachou), Secretaria de Saúde e Secretaria de Educação do Estado do Tocantins, Secretarias Municipais de Educação e Saúde dos municípios de Aurora do Tocantins, Lavandeira e Combinado.