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23 de fev. de 2011

Ciência sob rodas

Projeto Ciência Móvel leva experimentos e conhecimento às cidades do interior do sudeste

Juliana Marques

Dentro do caminhão encontramos de tudo: painéis, filmes, microscópios e objetos científicos. Fora dele, centenas de jovens aguardam ansiosos para – pela primeira vez – visitar um museu. É assim que funciona o Ciência Móvel, um museu itinerante criado pelo Museu da Vida, da Casa de Oswaldo Cruz (COC), na Fiocruz, para democratizar o acesso aos centros de cultura e ciência no sudeste do estado e levar um pedaço dos museus para perto de quem vive longe deles. 

De acordo com o coordenador do projeto, o engenheiro Ribamar Ferreira, o objetivo do Ciência Móvel é ampliar o público dos museus e interiorizar a ciência no país. “Os jovens precisam ter a oportunidade de visitar os centros de ciência e ampliar o olhar. É como observar em um microscópio pela primeira vez. Quando eles entram em contato com estas experiências lúdicas são capazes de desenvolver perspectivas diferentes do mundo, e até mesmo despertar o interesse pela ciência”, explica Ferreira, que é também um dos co-fundadores da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente. 


Após a parada na Fiocruz, o Ciência Móvel segue para Seropédica, Volta Redonda e Minas Gerais. (Foto: Juliana Marques)

Quem vive em cidades do interior conhece as dificuldades encontradas para visitar museus. Muitos deles são localizados nas capitais, próximos dos investimentos socioeconômicos, mas distantes de milhares de crianças e adolescentes interessados em ciência. Foi assim que em 2004 o Ministério da Ciência e Tecnologia decidiu apoiar a ideia de levar as instituições até os alunos, em unidades móveis para diversas regiões do Brasil.

Desde sua primeira viagem, em outubro de 2006, o Ciência Móvel já chegou a 360 mil jovens e adultos em toda a região sudeste. As exposições são montadas e o ônibus se transforma em um auditório com 40 lugares, e exibe filmes científicos, palestras e abriga oficinas. Além disso, o museu oferece a exposição de acordo com gosto dos visitantes. “Preparamos exposições como Dengue, Energia, Pegadas de Darwin, Vias do Coração e Ótica. Elas podem ser expostas juntas ou separadas, de acordo com o tamanho do espaço disponibilizado”, explica Ferreira. Em breve, o coordenador prevê a chegada de mais uma mostra, desta vez sobre o mundo dos dinossauros, com parceria do Museu Nacional da UFRJ.

O Gyrotec, um aparelho semelhante ao giroscópio que simula exercícios feitos por astronautas é um dos mais concorridos das mostras, segundo Ribamar Ferreira. Microscópios e o planetário inflável também atraem os estudantes. (Foto: Juliana Marques)

Interessados em receber o Ciência Móvel na sua cidade pode entrar em contato com a prefeitura, secretaria de educação ou secretaria do meio ambiente. O projeto conta com a parceria da Fundação Centro de Ciências de Educação Superior à Distância do Rio de Janeiro (Cecierj), do Planetário do Rio de Janeiro e é patrocinado pela empresa Sanofi-aventis.


Saiba onde encontrar o Ciência Móvel nos próximos meses:

29/03 a 01/04 - Seropédica – Rio de Janeiro, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
13/04 a 16/04 - Volta Redonda – Rio de Janeiro
11/05 a 13/05 - Florestal - Universidade Federal Viçosa – Minas Gerais


Quem mora em outras regiões do Brasil também pode receber um museu itinerante! Conheça os projetos de acordo com sua região:

NORDESTE
Bahia
Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC): Caminhão Com Ciência
Universidade do Estado da Bahia (UNEB)/Museu de Ciências e Tecnologia: Ciência Móvel
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)/Instituto de Pesquisas Gonçalo Muniz (IPqGM): Ciência na estrada

Pernambuco
Secretaria de Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente/Espaço Ciência: Ciência Móvel
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE): Laboratório Móvel de Arqueologia

NORTE
Amazonas
Universidade Federal Rural da Amazônia(UFRA): Clorofila Científica e Cultural dos Mangues do Pará

SUDESTE
Rio de Janeiro
Centro de Ciências do Estado do Rio de Janeiro(CECIERJ): Caravana da Ciência
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)/Casa da Ciência da UFRJ: Ciência para poetas na escola
Centro de Ciências do Estado do Rio de Janeiro(CECIERJ): Praça da Ciência Itinerante

São Paulo
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)/Museu Exploratório de Ciências: Oficina Desafio
Universidade Estadual de São Paulo (UNESP)/Faculdade de Medicina de Botucatu: Sangue na Rua

Minas Gerais
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)/Centro de Difusão da Ciência: Museu Itinerante Ponto

CENTRO-OESTE
Mato Grosso
Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia de Mato Grosso: Circuito da Ciência

Brasília
Instituto de Física da Universidade de Brasília (UNB): Experimentoteca Móvel
Planetário Itinerante Museu de Ciências e Tecnologia de Brasília da UNB: Museu na Escola

SUL
Rio Grande do Sul
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS): Laboratório Itinerante Tecnologia.Com.Ciência
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS): Projeto Museu Itinerante

TODO O BRASIL
Divisão de Educação do Serviço Social do Comércio (SESC)/Departamento Nacional: SESCiência


Ciência Móvel no Museu da Vida, no campus da Fiocruz

Data: 15/02 a 26/02
Horário de funcionamento: terça a sexta – das 9 às 16h30
Sábados - das 10 às 16 horas

Entrada grátis

Exibição de vídeos científicos no caminhão:
Terça a sexta – entre 10 e 12 horas.
Sábados: entre 10 e 12 horas, e das 13h30 às 15h30
Endereço: Av. Brasil, 4.365 – Manguinhos

Primeiros passos para a cultura científica

Projeto Ciência, Arte e Magia desperta o conhecimento de jovens a partir de atividades lúdicas e jogos interativos

Juliana Marques

Eles vivem cheios de ideias, mas muitas vezes não sabem como colocá-las em prática. São muitos os jovens que se interessam por ciência, mas poucas são as escolas que estimulam atividades pedagógicas fora das salas de aula. Pensando nisso, um grupo de pesquisadoras do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) criou o projeto Ciência, Arte e Magia, com o objetivo de estimular a criatividade de estudantes por intermédio de atividades lúdicas, como jogos eletrônicos, de tabuleiro e oficinas de vídeo sobre temas científicos. 

Criado em 2005, o projeto atende hoje alunos do ensino fundamental e do ensino médio de quatro escolas públicas em Salvador. Para ingressarem com seus próprios trabalhos no Ciência, Arte e Magia, os alunos são selecionados previamente pelas instituições de ensino de acordo com a área de interesse. A coordenadora pedagógica do programa, Rosimere Lira, explica que para participar, o estudante precisa ser dedicado, presente, gostar de estudar ciência e estar disposto a seguir a vocação. “Perguntamos logo no início qual profissão o aluno quer seguir e se ele conhece a importância da profissão para a sociedade”, conta Lira.

Alunos do Colégio Estadual Evaristo da Veiga apresentam seus jogos na 8ª Semana de Museus, em maio do ano passado em Salvador.
(Foto: Divulgação Ciência, Arte e Magia)

Ao integrarem o Ciência, Arte e Magia, os estudantes desenvolvem um projeto de pesquisa e são orientados pelos próprios professores. Eles escolhem o tema que querem trabalhar e criam atividades interativas, como os jogos, desenvolvidos com o apoio de estagiários de ciência da computação da UFBA. Os resultados e o produto final das pesquisas são publicados no site do projeto, em livros, em seminários e congressos. A equipe tem também como meta publicar on-line todos os jogos eletrônicos criados pelos alunos.

Para incentivar a participação dos estudantes, o projeto realiza diversos eventos e atividades em parcerias com museus e centros de ciências na cidade de Salvador. “Temos inúmeros museus, cheios de histórias para contar. Ao levarmos o Ciência, Arte e Magia para dentro das instituições, os jovens percebem que também podem fazer parte deste universo, que pode ser interativo e divertido”, explica a coordenadora.

Novas ideias e inspiração a cada ano

A seleção para o ingresso no projeto é feita anualmente pelas escolas participantes. São elas: Escola Alfredo Magalhães, Colégio Estadual Evaristo da Veiga, Colégio Estadual Odorico Tavares e Colégio da Polícia Militar (Unidade Dendezeiros). Lira conta que mesmo depois de passarem no Vestibular, muitos alunos continuam participando do projeto como voluntários ou estagiários. “Eles ficam conosco e seus depoimentos estimulam a chegada de outros jovens, que veem como suas ideias podem sim se tornar grandes projetos”, destaca a pedagoga.

Estudantes do Ensino Médio desenvolvem jogos de tabuleiro no Centro de Ciências da Universidade Federal da Bahia.
(Foto: Divulgação Ciência, Arte e Magia)
Além do desenvolvimento dos trabalhos de pesquisa, os estudantes também participam de oficinas de vídeo científico, em parceria com a Escola de Comunicação da UFBA. Outros projetos do Ciência, Arte e Magia são o blog Pergaminho Científico, que exibe notícias sobre a produção dos alunos e os eventos que participam; e a Sala Verde “Ciência, Arte e Magia”, criada para popularizar o acesso à informações sobre o meio ambiente.

Na Sala Verde, uma das propostas é a criação de um jornal sobre meio ambiente com crianças e adolescentes da comunidade Alto de Ondina, em Salvador. Lá, a UFBA atua em parceria com o Centro Integrado de Apoio à Criança e ao Adolescente e desenvolve diversas atividades com os jovens, como peças teatrais, palestras, experimentos científicos e oficinas. 

Estimular os estudantes a fazerem o que gostam é o objetivo principal da professora de ciências e biologia do ensino fundamental Bárbara Rosemar: “Os alunos passam a ser os responsáveis pela busca de informações e conhecimento, e têm o desafio de reescrever este conhecimento de forma lúdica e prazerosa. O resultados finais são maravilhosos e nos dá a certeza que estamos no caminho certo”, comemora a professora.


Conheça os jogos criados pelos alunos: Ciência Lúdica - Brincando e aprendendo com jogos sobre ciência


Leia os depoimentos dos alunos André Luis Melo e Igor Gomes da Costa, bolsistas do projeto:

Participar de um projeto de Iniciação Científica é uma experiência indescritível. A quantidade de coisas que se aprende, o mundo que se descobre... Tudo isso é muito gratificante para qualquer estudante do Ensino Médio que almeje entrar em uma universidade. Participo do “Ciência, Arte e Magia” desde 2009, ao final desses dois anos só tenho a agradecer. As orientações e os diálogos nos fazem crescer não só profissionalmente, mas também pessoalmente. Como todo desafio, o projeto tem dificuldades que existem para serem superadas - o que é possível com o auxílio dos orientadores e colegas.

André Luis Melo, 16 anos, está no 3º ano do Colégio da polícia Militar



Estudo física e química atômica desde os 5 anos de idade, mas nunca havia tido a oportunidade de colocar em prática o que vinha estudando. Então, vi no projeto “Ciência, Arte e Magia” a oportunidade de começar a construir o caminho para o meu grande sonho: ser um grande físico nuclear! (...) O meu primeiro trabalho “Refutação da Teoria do Flogisto através da Técnica da Dilatação Térmica Linear” foi sofrido, mas resultou em um grande e interessante experimento, fruto de meses de pesquisa. Esta foi a primeira coisa que mudou em mim: a maneira de estudar. Vou renovar minha bolsa e continuar participando do projeto pois não tem dinheiro no mundo que pague o prazer de ser reconhecido naquilo que você mais ama fazer. (...) O Ciência Arte e Magia é uma oportunidade para poucos, então esses "poucos" precisam aproveitar ao máximo. No futuro, contribuirei com o projeto e ajudarei ao máximo os alunos que desejam crescer no mundo científico como eu cresci.

Igor Gomes da Costa, 16 anos, está no 3º ano do Colégio Estadual Odorico Tavares

Um pedaço da oceanografia nas escolas

Grupo de pesquisadores se reúne e elabora material especial sobre oceanos para professores

Juliana Marques

A partir de aulas, seminários e ideias do Departamento de Geologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), um grupo de pesquisadores decidiu compartilhar o conhecimento acadêmico adquirido com professores e alunos dos ensinos fundamental e médio. Eles se reuniram com especialistas das áreas de biologia, geografia, matemática e geologia - que inclui ainda pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) - e elaboraram um material didático especial, sobre a preservação da vida marinha com o objetivo de estender o conhecimento às escolas do Rio de Janeiro.

Coordenado pela pesquisadora e geóloga Susanna Schiel, da UFF, o projeto teve início, em 2008 e ganhou o apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Na ocasião, cerca de 40 professores da região litorânea fluminense se reuniram com os pesquisadores e especialistas da Marinha em alto mar para visitar ilhas da cidade de Arraial do Cabo. Com o auxílio do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM), os educadores aprenderam sobre o surgimento das composições rochosas das praias, acúmulo de sedimentos e a relação das condições do mar com ar atmosférico.

De acordo com a professora de geografia Janaína Almeida, o projeto foi criado para aproximar professores e estudantes de temas que são frequentemente abordados pela mídia, mas são pouco explicados em sala de aula. “Muitos alunos assistem reportagens sobre mudanças climáticas nos telejornais, mas ficam cheios de dúvidas. Nosso objetivo é oferecer ao educador uma maneira simples e divertida de abordar e explicar esta e outras questões em aula”, explica a educadora, que participou do desenvolvimento e execução do projeto na instituição em que trabalha, a Escola Municipal Hermínia Josetti, no município de Teresópolis.

Alunos da Escola Municipal Hermínia Josetti atentos à palestra da Polícia Florestal e de Meio Ambiente, no município de Teresópolis, antes de realizarem uma atividade de campo no Parque Nacional da Serra dos Órgãos.
(Foto: Janaína Almeida)
Para oferecer aos professores um material ideal para as aulas, os pesquisadores elaboraram um CD-ROM com textos, slides, informações e fotografias; além de uma apostila com diferentes informações sobre os oceanos. Eles consultaram instituições como a Marinha e o projeto TAMAR, e aproveitaram materiais da própria universidade. Apesar da iniciativa ter sido voltado inicialmente para escolas da Região dos Lagos, professores e alunos da Região Serrana também mostraram interesse, especialmente em assuntos como o ciclo da água e o meio ambiente.

Assim, professores da Serra fluminense embarcaram em um navio oceanográfico da marinha que realiza diversos levantamentos e medições físico-químicas no oceano da costa do estado. A professora Janaína conta que posteriormente, os educadores exibiram filmes aos estudantes e prepararam uma atividade de campo do Parque Nacional Serra dos Órgãos: “Os alunos puderam ver de perto bacias hidrográficas, fazer anotações e verificar que a poluição que começa na Serra segue direto para foz, nos mares. Com fotografias e pesquisa na internet, os jovens se mobilizaram para montar uma fotonovela e conscientizar outros colegas”.

Professores do ensino básico da Região Serrana do Rio têm a chance de ver de perto a coleta de material para pesquisas no navio oceanográfico da Marinha NocAntares (Foto: Janaína Almeida)
Após as fortes chuvas que atingiram milhares de famílias na Serra do Rio de Janeiro, a meta dos pesquisadores agora é dar continuidade ao projeto e expandir as atividades para  a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Os coordenadores querem distribuir ainda mais materiais didáticos para expandir o conhecimento da vida marinha nas escolas brasileiras.

Professores interessados em participar do projeto ou obter o material didático podem entrar em contato com o Departamento de Geologia da UFF: http://www.igeo.uff.br/