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20 de abr. de 2011

Conhecimento multiplicado

Plataforma livre de pesquisas e informações, Internet rompe fronteiras e promove o aprendizado gratuito em rede

Juliana Marques

Com o surgimento das inúmeras possibilidades e facilidades de comunicação, a internet passa a ser uma das protagonistas de projetos voltados para educação. Afinal, é na grande rede digital que se torna possível a reprodução em escala global de informações. Seja em portais colaborativos ou sites com conteúdo de domínio público, nunca foi tão fácil ter acesso a conhecimento de qualidade, como livros, artigos científicos e até mesmo material audiovisual.

Estimulada a otimizar o aprendizado por intermédio de um intercâmbio de informação e disponibilidade de material acadêmico on-line, a Fiocruz promoveu entre os dias 11, 12 e 13 de abril o Seminário Internacional Acesso Livre ao Conhecimento. Pesquisadores de diversos países se reuniram para garantir o acesso livre a material de saúde pública de maneira democrática e ainda sob novas discussões sobre o direito autoral virtual.

Um dos coordenadores do portal Campus Virtual de Saúde Pública, José Baudilio Jardines Médez, afirmou que atualmente é impossível pensar no conhecimento em saúde sem explorar o compartilhamento de plataformas virtuais. “Instituições em todo o mundo produzem milhares de pesquisas todos os anos. Como difundir este conhecimento e tornar pública a informação? As Bibliotecas virtuais permitem uma convergência otimizada deste material tão rico para o conhecimento”.

Campus Virtual: rede integra material de saúde pública de diversos países da América Latina. Seu objetivo não é apenas oferecer material científico de qualidade, mas também prover cursos virtuais, facilitando o processo educativo. O Brasil é um dos países que mais contribui para inserção de conteúdo

Ao apresentar a plataforma do Campus Virtual, Méndez relembrou a primeira iniciativa de uma biblioteca virtual livre, que teve início em 2001, no Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês). E de lá para cá, inúmeras bibliotecas e museus em todo o mundo passaram a armazenar muito mais do que o catálogo na rede. “Hoje, o intercâmbio é ainda mais importante do que simplesmente a presença de documentos. O Campus Virtual, por exemplo, investe em plataformas de e-learning, que significa o aprendizado eletrônico. Com elas é possível criar atividades pedagógicas inovadoras por intermédio de vídeos, áudio, animação interativa e simulações”, explicou o coordenador.

Na mesma semana do Seminário Internacional, a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, anunciou a criação da maior biblioteca virtual do mundo, que reunirá conteúdos do Google, da Biblioteca do Congresso Americano, entre muitas outras instituições. O portal não reunirá apenas material escrito, mas vídeos, imagens e até mesmo infográficos. O projeto é inspirado em uma iniciativa europeia que já está on-line, o site Europeana.

Europeana é atualmente a maior biblioteca virtual da continente europeu. Ela reúne cerca de 1.500 instituições de toda a comunidade europeia e disponibiliza conteúdo multilíngue, inclusive em português

Já está pensando em algum projeto, texto ou vídeo para participar da Olimpíada?
Conheça outras Bibliotecas Virtuais e iniciativas que têm como principal objetivo difundir o conhecimento e auxiliar pesquisas e o aprendizado.

  • Quem deseja aprofundar conhecimentos sobre saúde pode acessar o portal da Editora Fiocruz e obter artigos científicos sobre os mais diferentes temas, além de informações sobre o uso da obra no novo site Acesso Aberto, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP).
  • Livros completos – com destaque para as obras de Machado de Assis – músicas e publicações especiais para professores, o portal Domínio Público faz sucesso na internet, principalmente entre os estudantes que desejam realizar trabalhos sem se preocuparem com os direitos autorais.  
  • Até agora um dos projetos que engloba o maior número de bibliotecas do mundo, a Biblioteca Digital Mundial é uma iniciativa da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) e tem como principal missão disponibilizar material histórico das mais diferentes culturas em sete idiomas. É imperdível para quem gosta de História.  
  • Além de disponibilizar obras on-line, a internet também facilita a troca do livro físico. Quem deseja doar ou receber livros pode acessar o site Biblioteca Mais Feliz. O portal integra o projeto de jornalismo educativo Catraca Livre. Participe!

Ao vivo, de um ninho em Nova Iorque

Internautas podem acompanhar em tempo real o nascimento de filhotes dos pássaros da espécie búteo-de-cauda-vermelha nos Estados Unidos

Juliana Marques

Pousados sob um das janelas do 12º andar da Biblioteca Bobst, no edifício da Universidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, um casal de aves de rapina da espécie búteo-de-cauda-vermelha (Buteo jamaicensis) começaram a reunir os primeiros gravetos. Eles são minuciosos, e logo um ninho semelhante a uma guirlanda toma forma.  Violet e Bob – como o casal já ficou conhecido pelos universitários – agora dividem o lar com três ovos que eclodirão em breve.

Para acompanhar a rotina das aves e mostrar ao vivo o nascimento dos pequeninos, o jornal New York Times instalou uma câmera na janela e a conectou na internet. Com isso, pessoas do mundo inteiro podem acompanhar a rotina de Violet e Bob, que de acordo com o jornal, terão a companhia de jovens búteos no dia 22 de abril.

Os búteos-de-cauda-vermelha são pássaros comuns nos Estados Unidos e em todo a América do Norte. Lá são chamados de red tailed hawk – falcões de cauda vermelha. Como as famosas águias, eles são aves de rapina e por isso, carnívoros. Entre seus pratos prediletos, camundongos e esquilos. O dimorfismo – fator que determina a diferenciação dos gêneros – está no tamanho: os machos são cerca de um 1/3 menores que as fêmeas.

Búteo-de-cauda-vermelha (Buteo jamaicensis) são aves de rapina encontrados em toda a América do Norte e na Europa. Eles habitam tanto florestas quanto grandes cidades. Foto: Wikimedia Commons.

No ninho da Biblioteca em Nova Iorque, Violet é quem passa a maior parte do tempo chocando os ovos. No fim do dia, Bob toma seu lugar e ela voa por Manhattan em busca de presas. Ao longo da transmissão ao vivo é possível ver de perto todos os cuidados dos pais com os futuros filhotes. Todos aguardam ansiosos a chegada dos pequenos falcões.

Para também acompanhar a família de falcões em Nova Iorque, acesse o endereço: http://cityroom.blogs.nytimes.com/2011/04/06/hawk-cam-live-from-the-nest/

É possível também receber notícias do nino via Twitter. Basta seguir: @NYURedtailHawks

O perigo servido à mesa

Campeão mundial no consumo de agrotóxicos, Brasil lança campanha para reduzir contaminação

Juliana Marques

Eles saem direto das plantações e vão para os nossos pratos, junto com os alimentos. Em média, os brasileiros consomem 5,2 litros de agrotóxicos por ano e seus danos não atingem somente nossa saúde: as intoxicações alcançam com facilidade os solos, chegam aos lençóis freáticos e ainda poluem o ar. Enquanto países em todo mundo propõem novas metas e alternativas mais sustentáveis para reduzir o uso de produtos químicos nocivos na agricultura, o Brasil consome cerca de 700 milhões de litros de agrotóxicos anualmente. Tudo isso para abastecer gigantescas safras de soja, milho e algodão.

O governo federal criou, portanto, uma campanha permanente em parceria com outras 20 instituições para reduzir o uso de agrotóxicos nas plantações e mobilizar a população para produzir - e consumir - alimentos saudáveis. Os agrotóxicos podem causar dois efeitos diferentes no corpo humano: agudos e crônicos. Em geral, os efeitos agudos são causados especialmente em agricultores que se contaminam diretamente com o manejo inapropriado das substâncias. Distúrbios nervosos e estomacais, tonteiras, desmaios dores de cabeça e até mesmo ataques cardíacos e falência pulmonar são algumas das consequências. Já os efeitos crônicos decorrem especialmente da alimentação, e são cumulativos, podendo causar comprometimento do sistema imunológico, problemas endócrinos e até mesmo câncer.

Especialistas afirmam que o uso de pesticidas e herbicidas em plantações não passam por monitoramento no Brasil. Em 2009, apenas o  estado do Mato Grosso foi responsável pelo consumo de 105 mil litros de produtos tóxicos
(Foto: Charles O'Rear)


Em entrevista à Agência Fiocruz de Notícias, a pesquisadora Lia Giraldo, do Departamento de Saúde Coletiva do Laboratório Saúde, Ambiente e Trabalho da Fiocruz Pernambuco afirma que a toxicidade dos agrotóxicos aumentou em função das resistências das pragas: “No Brasil não existe um monitoramento adequado do uso dos agrotóxicos. A natureza reage, as pragas se tornam mais resistentes e as empresas são obrigadas a produzir novas moléculas para os agrotóxicos serem efetivos. A quantidade do uso também aumenta, e com isso, as nossas estruturas biológicas também são alteradas”.

Nas duas últimas edições da Olimpíada, o perigo dos agrotóxicos serviu de tema a três trabalhos que conquistaram não apenas suas regionais, mas levaram também o Destaque Nacional, sendo um deles uma Menção Honrosa. No trabalho Agrotóxicos: benefícios ou malefícios?, premiado na 4ª Olimpíada, alunos do Ensino Médio da Escola Estadual Poeta José Raulino Sampaio, em Petrolina, Pernambuco elaboraram um Projeto de Ciências com o objetivo de conscientizar os alunos sobre o uso inadequado dos agrotóxicos nas lavouras.

E na 5ª Olimpíada, a animação Bum dos Agrotóxicos, feita por alunos do Ensino Médio da Escola Estadual de Educação Profissional Avelino Magalhães, em Tabuleiro do Norte, Ceará, ganhou reconhecimento merecido ao retratar consequências em agricultores que não realizam o plantio de forma sustentável. Já o trabalho Agrotóxico x Agro-tóxico, premiado na categoria Projeto de Ciências, narra a experiência dos alunos do Ensino Médio, da Escola estadual Professora Zama Maciel, em Pato de Minas, Minas Gerais, ao cultivarem alimentos orgânicos, ou seja, livres de compostos químicos.

Estudantes elaboram o projeto que foi um dos Destaques da 4ª Olimpíada: Agrotóxicos: benefícios ou malefícios? Eles realizaram uma pesquisa com agricultores em Pernambuco e mostraram que cerca de 30% dos entrevistados apresentavam sintomas da contaminação, tais como náuseas e dores de cabeça (Foto: E.E. Poeta José Raulino Sampaio)