Mostrando postagens com marcador Edição 123. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Edição 123. Mostrar todas as postagens

12 de jan. de 2011

O mundo dos insetos na rede

Biólogos lançam livro virtual para aproximar jovens estudantes ao universo de biodiversidade dos insetos

Juliana Marques

Pesquisadores do Laboratório de Biodiversidade Entomológica do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), na Fiocruz, decidiram lançar um livro virtual para ajudar na formação de estudantes e professores interessados na entomologia - o estudo dos insetos. Após dois anos de pesquisas e organização, eles lançaram este mês a obra “Insetos: uma aventura pela biodiversidade”, que traz textos, curiosidade e imagens de encher os olhos sobre as 31 ordens de insetos conhecidos até agora. Tudo on-line e de graça.


No livro virtual, uma amostra do que os cientistas conhecem até agora. Mas eles estimam que os insetos alcancem a marca de 10 milhões de espécies
Como em uma enciclopédia, é possível conhecer as principais características dos animais, como eles se alimentam, reproduzem, onde podemos encontrá-los e como identificá-los.  Além disso, o livro conta um glossário e um capítulo inteiro dedicado à biodiversidade. A pesquisadora do IOC, Jane Costa, explica o motivo da escolha dos insetos para representar a variabilidade de seres vivos: “Os insetos são os mais diversos organismos vivos. Atualmente, o número de espécies descritas chega a 1 milhão, mas estimamos que o número de espécies existentes esteja entre 2,5 e 10 milhões. Nenhum outro grupo de animal possui a diversidade de adaptação, número de espécies, biomassa e impacto ambiental maiores que os insetos”, conta a bióloga, que é também a idealizadora do projeto.

Com uma linguagem leve e acessível ao público leigo, os pesquisadores apresentam o universo dos insetos para apaixonados pela entomologia e pela natureza. Até mesmo quem ainda não é fã, se impressiona com os as curiosidades dos insetos, e se sente motivado a conhecer outras peculiaridades destes artrópodes que são encontrados em todo o planeta.  Segundo Jane Costa, a iniciativa da confecção de um livro digital surgiu para encurtar distâncias entre o conhecimento técnico científico e o saber da população: “É uma oportunidade especial para que as futuras gerações tenham acesso ao mundo dos insetos, seres tão antigos, incrivelmente diversos e de uma importância vital que é ignorada por grande parte da população”. Em 2012, a pesquisadora prevê o lançamento de uma versão do livro em inglês, e é claro, outra no formato convencional, em papel.

Vencedores da 5ª Obsma conferem de perto algumas das espécies da Coleção Entomológica do IOC, a maior da América Latina, na sala Costa Lima, Fiocruz (Foto: Juliana Marques)

Na obra, é possível conferir imagens de insetos coletados pelos próprios autores.  Muitos dos mais interessantes animais, como o bicho-pau e o louva-a-deus podem ainda ser vistos de perto na sala Costa Lima, localizada no Castelo Mourisco da Fiocruz.  O espaço é aberto ao público e abriga algumas espécies de insetos que integram a Coleção Entomológica do IOC, a maior e mais importante da América Latina.   A sala homenageia o professor Ângelo Moreira da Costa Lima (1887 – 1964), que também ganhou dedicatória no livro virtual. Costa Lima foi um dos maiores entomólogos brasileiros, e é o autor da obra “Insetos do Brasil”, cujos 12 tomos também estão disponíveis na rede.

Acesse aqui o livro Insetos: uma aventura na biodiversidade

Para agendar uma visita à Sala Costa Lima, entre em contato com o Museu da Vida:
ce@ioc.fiocruz.br
(21) 2562- 1270

Florestas para preservar, química para sonhar

Em 2011, 365 dias para celebrar o Ano Internacional das Florestas e da Química

Juliana Marques

O ano novo chega com uma boa oportunidade para promover a popularização da ciência e a preservação do meio ambiente: 2011 foi escolhido pela Organização das Nações Unidas como o Ano Internacional das Florestas e da Química - dois temas que serão pautas novos estudos, pesquisas e eventos científicos em todo o mundo.

Para dar início às comemorações, a equipe da Olimpíada selecionou três portais criados para oferecer informações, notícias, ideias e entrevistas sobre a preservação florestal e o ensino da química. O primeiro deles é o Química para ler e sonhar - Quid +, um portal voltado para professores e alunos do ensino médio, e criado pela Sociedade Brasileira de Química, com o objetivo de tornar mais simples a linguagem da disciplina nas salas de aula. O site conta com um caça-palavras, curiosidades sobre elementos químicos, notícias e entrevistas com especialistas, que comentam sobre o dia-a-dia da profissão em suas mais diferentes áreas.

A química Élen Vasques Pacheco explica por que escolheu a química como profissão: “Desde cedo já sabia que nossa vida é regida pela química. No meu trabalho, procuro criar processos e produtos reciclados que não causem nenhum dano ao meio ambiente. Atualmente, atuo no desenvolvimento da madeira plástica, que pode ser serrada, aparafusada e pregada. A química é a base para todo este trabalho”, conta Élen, especializada em Engenharia Química.

Ano Internacional da Química


Para o Ano Internacional da Química, a ONU promoverá em diversos países ações relacionadas ao ensino e ao aprendizado da química, tais como oficinas, concursos e seminários. O objetivo da Organização é reunir especialistas para chamar a atenção sobre a importância da química para vida. O ano foi escolhido para homenagear a cientista polonesa Marie Curie, que há 100 anos foi laureada com o Nobel de Química pela descoberta dos elementos rádio e polônio, e por seus estudos para o avanço da ciência.



Ano Internacional das Florestas

Já para as atividades do Ano Internacional das Florestas, as Nações Unidas estão programando, entre outras atividades, um festival de cinema que contará com a participação de cineastas de 192 países. Com o tema “Florestas para o povo”, a entidade promoverá ainda um concurso de fotografia, convenções e palestras, relacionadas com resultados já obtidos em 2010, o Ano Internacional da Biodiversidade.

No Brasil, vale a pena conhecer o trabalho de duas organizações não-governamentais que auxiliam no combate ao desmatamento e à prevenção das matas. Uma delas é a ONG SOS Mata Atlântica, criada em 1986 para promover a conservação da diversidade cultural e biológica da Mata Atlântica. Entre outras coisas, a ONG oferece documentos que podem ser acessados on-line, cursos e programas especiais, como o “Mata Atlântica vai à Escola”.


Outro portal que vale a visita é o da ONG Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, o IPAM. Fundado há 15 anos em Belém, Pará, o IPAM tem como principal objetivo reunir em um único lugar o ponto de vista das pesquisas científicas, da conservação ambiental e das comunidades. O site conta com diversas informações sobre o meio ambiente, e é voltado especialmente para as pesquisas da Floresta Amazônica. É possível acessar vídeos, imagens e podcasts, além de revistas digitais.

O primeiro censo dos oceanos

Pesquisadores descobrem 20 mil novas espécies ao catalogarem seres vivos em mares de todo o mundo

Juliana Marques

Uma das novas espécies descoberta pelos cientistas é a água viva Bathykorus boulloni, encontrada a mil metros de profundidade. (Foto: Kevin Raskoff/Montery Peninsula College, Estados Unidos)
Com o objetivo de avaliar e explicar a diversidade da vida nos mares, biólogos e oceanógrafos iniciaram em 2000 um plano global de exploração marinha. Foram convocados 2.700 cientistas de 80 países que participaram de quase 600 expedições para organizar espécies, explorar mares desconhecidos e mapear alterações na vida dos oceanos, após impactos humanos e naturais. Dez anos depois do início do projeto, os cientistas divulgaram o Censo da Vida Marinha, uma pesquisa que catalogou cerca de 250 mil espécies, incluindo 20 mil nunca antes descobertas.

Para a divulgação dos resultados do projeto, os pesquisadores criaram um portal (em inglês) que reúne imagens, textos acadêmicos, catálogos, livros, vídeos, notícias, e até mesmo um poema e uma canção inspirada no censo. A página ganhou também mapas interativos, que exibem informações como ocorrências de espécies, naufrágios, áreas protegidas e rotas migratórias. Com o auxílio de satélites e equipamentos eletrônicos, os cientistas puderam constatar que os oceanos são ainda mais ricos e as espécies são mais interligados do que o esperado. No entanto, eles também alertam que os impactos ambientais também estão sendo mais graves do que o previsto.

O peixe gelado da Antártica não possui as hemoglobinas e nenhuma célula sanguínea vermelha. Esta é a adaptação perfeita para bombear mais rápido o sangue para o corpo em temperaturas abaixo de zero. (Foto: J. Gutti AWI/Marum, University of Bremen, Alemanha)
Um dos principais destaques do censo foi a descoberta de seres vivos raros, que vivem em situações extremas, tais como baixas temperaturas, elevada profundidade e escassez de oxigênio. Os cientistas catalogaram materiais genéticos de todos os seres vivos que estavam ao alcance, desde o oceano ártico até as zonas abissais, que abrigam alguns dos animais mais curiosos já vistos pelos pesquisadores.

Durante o lançamento oficial do portal marinho em Londres, no fim do ano passado, o diretor do censo Jesse Ausubel explicou que a curiosidade em descobrir novas espécies e a importância em se catalogar a diversificada vida marinha foram algumas das motivações para o projeto: “Não pensamos em limites para responder a questão: O que viveu, vive e viverá nos oceanos? Descobrimos criaturas maravilhosas e analisamos seus hábitos, suas características. Também coletamos dados como reduções de populações, influências do clima e da poluição. Agora, o que temos é um material riquíssimo, que auxiliará estudantes e biólogos em suas pesquisas científicas”.

O projeto contou com apoio de fundações e organizações de todo o mundo, e foi financiada pela fundação norte-americana Alfred P. Sloan.