6 de abr de 2011

Como serão os museus do futuro?

Pesquisador conta como casas de ciência enfrentam o desafio de levar conhecimento à juventude contemporânea

Juliana Marques
   
Repletos de objetos antigos e meticulosamente catalogados, museus e casas de ciências representam a evolução do conhecimento nas mais diferentes sociedades. É claro que os museus sempre terão espaço para a história, mas uma nova geração de jovens do mundo inteiro está levando pesquisadores a buscarem novos instrumentos interativos e colaborativos para aproximar a juventude do conhecimento e da educação.

Quem defende a ideia é o pesquisador mexicano e criador de programas educativos para museus Ricardo Rubiales Jurado - hoje um dos curadores do Papelote, Museu da Criança, na Cidade do México. Rubiales apresentou diversas inovações no 1º Encontro da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência (ABCMC), que aconteceu entre 29 de março e 1º de abril no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.

Um dos exemplos de interatividade no Museu de Artes e Ciências, em Connecticut, nos Estados Unidos. A descoberta começa on-line antes do visitante ir ao museu, e ao chegar lá ele aprende sobre abalos sísmicos em tempo real na internet e pode registrar suas próprias experiências.
(Foto: Louise Palmer/IRIS Consortium)

O pesquisador mostrou como o conflito de gerações está afastando os jovens dos museus, e ao mesmo tempo desafiando museólogos e educadores. “A geração Y estabelece novas formas de comunicação em contextos e momentos sociais distintos, mas globais. A juventude não quer apenas aprender, mas fazer parte do aprendizado e colaborar com ele”, explicou.

Novo olhar colaborativo

Para atender aos anseios dos jovens do século XXI, Rubiales defende a democratização digital do conhecimento: “O museu deve ser um território a ser explorados por crianças, jovens, e até mesmo adultos. Um novo conceito de museus deve ser baseado no construtivismo, ou seja, apoiado na socialização e no diálogo. E neste contexto, a internet e equipamentos eletrônicos têm uma participação essencial nos processos educacionais”, contou o pesquisador, que desde 1994 desenvolve projetos para crianças relacionados à arte contemporânea.

Rubiales defende que as mudanças são necessárias para que os jovens sejam capazes de refletir sobre temas mais cada vez mais complexos, relacionados especialmente a contextos políticos e socioeconômicos da atualidade. “Participação é diferente de interatividade. Participar é responder, colaborar. E os museus devem ser um espaço para os jovens trabalharem juntos e dialogarem entre si. Os visitantes são coautores, e a experiência começa quando alguém inicia a participação”, esclarece.

Conheça o trabalho e os projetos de Ricardo Rubiales (em espanhol)
http://www.educacionenmuseos.com
   
Como serão os museus do futuro? Conheça a ONG Australiana Museum3 e saiba em especialistas de todo o mundo estão investindo para mudar os conceitos de museus e centros de ciência. (em inglês)
http://museum3.org/