10 de fev de 2011

Mais esforços no combate a virus

Investimentos em vacinas, controle de transmissores e conscientização da população são algumas das mais importantes medidas para prevenir doenças virais

Juliana Marques

A dengue e a poliomielite são doenças graves, causadas por vírus diferentes, mas que precisam de cuidados especiais e medidas urgentes de prevenção em diversas regiões. Enquanto grande parte do mundo já erradicou a poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, nações do Oriente Médio e da África ainda enfrentam desafios para prevenir a enfermidade e fornecer vacinas para a população, especialmente crianças menores de cinco anos.

Graças às doses das vacinas Sabin e Salk, a poliomielite já foi erradicada em quase todos os países do mundo. Atualmente a Organização Mundial da Saúde (OMS) trabalha em parceria com fundações e organizações não-governamentais para levar vacinas à crianças em áreas ainda endêmicas. (Foto: OMS)

A dengue, ao contrário, possui um quadro ainda mais alarmante. Com a inexistência de vacinas e tratamentos específicos, a doença atinge cerca de 50 milhões de pessoas anualmente, sendo que 2,5 bilhões vivem em áreas de risco, em mais de 100 países em todo o mundo. E a cada ano, o aumento da temperatura média global agiliza a proliferação de mosquitos, que passam a transmitir com mais rapidez quatro tipos diferentes do vírus da dengue, o arbovírus.

No Brasil, a pólio foi erradicada no início da década de 90, após grandes epidemias entre os anos de 1970 e 1973. Em 1980 o país iniciou, por intermédio do Sistema Único de Saúde (SUS), uma campanha nacional de vacinação infantil, reduzindo até 50% dos casos em apenas um ano. Atualmente, a doença ainda é foco de grandes campanhas para que especialistas continuem monitorando uma possível reintrodução do polivírus na população.

Vulneráveis, as crianças são as mais propensas a contrariar a pólio. Além dos sintomas mais comuns, como febre, dor de cabeça, diarreia e vômito, a doença pode subitamente causar danos no sistema nervoso, levar à paralisia muscular e causar a morte. Em países ainda endêmicos, como Índia, Nigéria, Afeganistão e Paquistão, a ausência de saneamento básico e de políticas de incentivo à programas de vacinação são algumas das facilidades encontradas para disseminação do vírus, que sobrevive em fezes,  água, alimentos e utensílios contaminados. Apesar disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS), fundações e a iniciativa privada têm tentado reverter o quadro. A cada ano, os países mais afetados chegam a receber um bilhão de dólares em vacinas e assistências.

Prevenir é controlar o vetor

Todos os anos, durante o verão, as temperaturas aumentam e os mosquitos se multiplicam. Para evitar a transmissão da dengue e novas epidemias no país, o Ministério da Saúde lançou este ano uma nova campanha de conscientização, com informações sobre mobilização, prevenção e sintomas, traduzidas para diferentes públicos, como profissionais de saúde, educadores e crianças.

O mosquito Aedes aegypti, é um dos principais responsáveis pela transmissão da doença. Para evitar sua proliferação, não deixe água parada em vasos de plantas, pneus, calhas, garrafas, e verifique a vedação da caixa d’água. (Foto: Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Wikimedia Commons)

Os maiores o vilões são os vetores, os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, conhecidos pelo corpo preto coberto com traços brancos. Eles vivem em locais com temperaturas elevadas, desovam suas larvas em água parada e carregam o vírus, transmitindo-o ao homem por intermédio da picada. Apesar de ainda não existir uma vacina para os quatro tipos de arbovírus de dengue existentes, pesquisadores na Austrália já estudam formas de tornar os mosquitos resistentes ao vírus.

Conheça as principais características dos mosquitos transmissores da dengue no vídeo:
Aedes aegypti e Aedes albopictus – Uma Ameaça aos Trópicos
Direção: Genilton Vieira



Dengue

Poliomielite (paralisia infantil)
Vírus:
Arbovírus, pertencentem à família de flavivírus. Existem 4 tipos diferentes, sendo o DEN-1 o maior causador de epidemias.
Poliovírus, formado por uma cadeia simples de RNA do gênero Enterovírus. Possui três sorotipos diferentes.

Transmissão:
Picada das fêmeas dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus.
Contato com fezes, água, alimentos e utensílios contaminados. O vírus se multiplica no intestino. 

Sintomas:
Febre, dor de cabeça, dores musculares e articulares. Erupções na pele, vômitos, diarreia, tonturas e hemorragias (em casos mais graves, na dengue hemorrágica).

Febre, dores no corpo, dor de cabeça e vômito. Paralisação muscular, em casos mais graves.
Áreas endêmicas:
Mais de 100 países em todo o mundo, especialmente locais com temperaturas acima de 30°C.

Índia, países da África e Oriente Médio.

Tratamento:
Após consultar um médico- Repouso, ingestão de líquidos e medicamentos prescritos para febre e dores de cabeça.

Não há tratamento especifico, apenas cuidados com os principais sintomas.
Prevenção:
Não deixar água parada: limpe calhas, cubra caixa d’água e mantenha sacos de lixo bem fechados, e longe de animais.
A melhor maneira é por intermédio das doses das vacinas Sabin e Salk, em crianças menores de cinco anos.