12 de jan de 2011

O primeiro censo dos oceanos

Pesquisadores descobrem 20 mil novas espécies ao catalogarem seres vivos em mares de todo o mundo

Juliana Marques

Uma das novas espécies descoberta pelos cientistas é a água viva Bathykorus boulloni, encontrada a mil metros de profundidade. (Foto: Kevin Raskoff/Montery Peninsula College, Estados Unidos)
Com o objetivo de avaliar e explicar a diversidade da vida nos mares, biólogos e oceanógrafos iniciaram em 2000 um plano global de exploração marinha. Foram convocados 2.700 cientistas de 80 países que participaram de quase 600 expedições para organizar espécies, explorar mares desconhecidos e mapear alterações na vida dos oceanos, após impactos humanos e naturais. Dez anos depois do início do projeto, os cientistas divulgaram o Censo da Vida Marinha, uma pesquisa que catalogou cerca de 250 mil espécies, incluindo 20 mil nunca antes descobertas.

Para a divulgação dos resultados do projeto, os pesquisadores criaram um portal (em inglês) que reúne imagens, textos acadêmicos, catálogos, livros, vídeos, notícias, e até mesmo um poema e uma canção inspirada no censo. A página ganhou também mapas interativos, que exibem informações como ocorrências de espécies, naufrágios, áreas protegidas e rotas migratórias. Com o auxílio de satélites e equipamentos eletrônicos, os cientistas puderam constatar que os oceanos são ainda mais ricos e as espécies são mais interligados do que o esperado. No entanto, eles também alertam que os impactos ambientais também estão sendo mais graves do que o previsto.

O peixe gelado da Antártica não possui as hemoglobinas e nenhuma célula sanguínea vermelha. Esta é a adaptação perfeita para bombear mais rápido o sangue para o corpo em temperaturas abaixo de zero. (Foto: J. Gutti AWI/Marum, University of Bremen, Alemanha)
Um dos principais destaques do censo foi a descoberta de seres vivos raros, que vivem em situações extremas, tais como baixas temperaturas, elevada profundidade e escassez de oxigênio. Os cientistas catalogaram materiais genéticos de todos os seres vivos que estavam ao alcance, desde o oceano ártico até as zonas abissais, que abrigam alguns dos animais mais curiosos já vistos pelos pesquisadores.

Durante o lançamento oficial do portal marinho em Londres, no fim do ano passado, o diretor do censo Jesse Ausubel explicou que a curiosidade em descobrir novas espécies e a importância em se catalogar a diversificada vida marinha foram algumas das motivações para o projeto: “Não pensamos em limites para responder a questão: O que viveu, vive e viverá nos oceanos? Descobrimos criaturas maravilhosas e analisamos seus hábitos, suas características. Também coletamos dados como reduções de populações, influências do clima e da poluição. Agora, o que temos é um material riquíssimo, que auxiliará estudantes e biólogos em suas pesquisas científicas”.

O projeto contou com apoio de fundações e organizações de todo o mundo, e foi financiada pela fundação norte-americana Alfred P. Sloan.