15 de dez. de 2010

Debates, ações e atitudes em Belém

Cidade paraense recebe o I Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental e apresenta desafios e soluções para os efeitos do clima na saúde
   
Juliana Marques

Principal porta de entrada para a Amazônia, Belém do Pará foi escolhida para sediar o I Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental, realizado entre os dias 6 a 10 de dezembro de 2010 pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco), Instituto Evandro Chagas (IEC) e Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS). O evento foi uma oportunidade para pesquisadores, cientistas e estudantes de todo o Brasil se encontrarem e debaterem sobre os mais diferentes temas relacionados à saúde ambiental.

A Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (Obsma) acompanhou as oficinas, palestras e mesas redondas com especialistas nacionais e internacionais, para trazer ao Boletim as mais recentes ideias, projetos científicos e soluções para problemas climáticos relacionados à saúde pública e à qualidade de vida.

De acordo com Luiz Facchini, presidente da Abrasco, o Simpósio permitiu um livre debate sobre métodos, estratégias e novas tecnologias para o desenvolvimento sustentável do país. “A articulação de disciplinas é essencial para a democratização do conhecimento que queremos construir. Nosso objetivo é integrar pesquisas à sociedade para potencializar resultados. Capaz de compreender os desafios lançados pela ciência, o homem também deve veicular seu conhecimento com compromisso social”, afirmou Facchini, na conferência sobre ciência e a produção de conhecimento.


Em sua conferência, Luiz Facchini, presidente da Abrasco, detalhou a importância da ciência da produção de conhecimento para o desenvolvimento sustentável da sociedade. (Foto: Juliana Marques)

Entre os principais temas do I Simpósio, destacaram-se os investimentos em infra-estrutura inovadora para o saneamento básico brasileiro, a reciclagem de resíduos sólidos, a contaminação por agrotóxicos e as mudanças de paradigmas de modelos de desenvolvimento e consumo. Discutiu-se ainda a importância da divulgação do conhecimento para o público leigo, já que ele é um dos protagonistas no exercício da cidadania na sociedade. Para o professor de medicina Paulo Saldiva, da Universidade de São Paulo (USP), não bastam apenas investimentos em políticas públicas e pesquisas científicas: “Precisamos nos adaptar a uma nova realidade e promover mudanças culturais. A insistência em uma pesquisa crítica e que mobilize os cidadãos é a única forma de alcançar soluções para os problemas ambientais”, explicou.

A Obsma também integrou a exposição de pôsteres e comunicações orais do I Simpósio. A bióloga Debora Bezerra de Santana, bolsista da Olimpíada em Recife, apresentou o trabalho “Saúde, ambiente e sociedade na visão dos alunos do ensino médio inseridos no projeto de educação ambiental Oxente, qué lixo!”. Em sua palestra, Débora analisou a construção de valores ambientais e sociais indispensáveis para a formação dos estudantes durante o projeto “Oxente”, realizado com alunos do Educandário Machado de Assis, em Igarassu, Pernambuco, vencedor da modalidade Projeto de Ciências da 5ª Obsma.

Durante o I Simpósio em Belém, os participantes também acompanharam a negociação de líderes políticos e ambientalistas de todo o mundo, que se reuniam em Cancún, no México, para a COP-16 – a Conferência das Nações Unidas para as mudanças climáticas.  Desta vez o encontro rendeu bons frutos, e um deles é a criação do “Fundo Verde”, um fundo bilionário para preservação ambiental e apoio aos países subdesenvolvidos. No Pará, o segundo maior estado brasileiro em extensão, e um dos lares da floresta amazônica, muitos são os motivos para proteger não apenas o meio ambiente, mas a saúde da população.

Cartaz de divulgação do evento